Arrecadação federal cresce em 2025 e reforça a importância da análise tributária

Os dados de arrecadação de 2025 indicam crescimento real das receitas federais, mesmo diante de uma base de comparação impactada por eventos não recorrentes e alterações legislativas no ano anterior.

De acordo com o relatório de arrecadação da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, divulgado em janeiro de 2026, o total arrecadado atingiu R$ 2,9 trilhões, com alta real de 3,75% em relação a 2024. Dentro desse montante, R$ 2,76 trilhões correspondem às receitas administradas pela Receita Federal, com crescimento real de 4,27%, configurando o melhor desempenho da série histórica desde 2000.

Ao longo de 2025, a arrecadação apresentou variação positiva com oscilações moderadas. A taxa acumulada iniciou em +3,70% em janeiro, atingiu +5,15% em julho, e encerrou o ano em +4,27% em dezembro.

Na análise por bases de incidência, os dados mostram aumento nominal com manutenção da estrutura de participação:

  • Renda e propriedade: de R$ 1,07 trilhão (2024) para R$ 1,12 trilhão (2025), com participação de 40,06% para 40,01%

  • Folha de salários: de R$ 769 bilhões para R$ 795 bilhões, com participação de 28,63% para 28,39%

  • Bens e serviços: de R$ 725 bilhões para R$ 751 bilhões, com participação de 27,00% para 26,79%

  • Transações financeiras: de R$ 71,7 bilhões para R$ 87,2 bilhões, com aumento de participação de 2,67% para 3,11%

O total das bases, em valores deflacionados para dezembro de 2025, passou de aproximadamente R$ 2,7 trilhões em 2024 para R$ 2,8 trilhões em 2025.

No campo das desonerações tributárias, o montante estimado foi de R$ 123,6 bilhões em 2025, ante R$ 125 bilhões em 2024.

Já no bloco previdenciário, o Simples Nacional previdenciário registrou crescimento real de 3,76%, enquanto as compensações tributárias com débitos previdenciários avançaram 14,37% na comparação anual.

Os dados também indicam que a base de comparação de 2024 foi influenciada por fatores extraordinários, o que deve ser considerado na leitura das variações observadas em 2025.

O acompanhamento da arrecadação por base de incidência permite identificar padrões de comportamento das receitas e acompanhar a evolução da estrutura tributária ao longo do tempo.

“Em um cenário de transição tributária, a capacidade de interpretar dados fiscais com precisão passa a ser determinante para empresas e para o próprio Estado”, destaca Adriano Subirá, presidente do Comitê Tributário Brasileiro (CTB).